Curtume é como é chamada a indústria responsável pela transformação da pele animal no couro legítimo que vai para o mercado na forma de roupas, calçados e outros objetos.
O Brasil é um dos maiores produtores de couro natural do mundo. Segundo dados da CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), em 2015 os exportadores coureiros geraram mais de U$ 7 bilhões em vendas.
O processo de transformação do couro também costuma ser chamado de curtume, mas destacamos que o nome correto dado a essa operação é curtimento.
Hoje explicamos melhor como ele acontece.
Entendendo o processamento do couro no curtume
O processo do curtume tem diversas etapas.
Essas operações iniciam-se no momento que a pele é retirada do animal e seguem com o objetivo de deixa o couro natural próprio para o uso industrial.
- EXTRAÇÃO E CONSERVAÇÃO
Por meio da esfolação, a pele do animal é retirada e, em seguida, submetida a um processo de conservação, que tem o objetivo de permitir que o couro seja manuseado e transportado sem iniciar a sua putrefação natural.
A conservação normalmente acontece pelo processo da salga, mas já existem outras formas mais modernas que utilizam agentes antissépticos, por exemplo.
- RIBEIRA
A operação de ribeira descarta as camadas da pele que não devem estar no produto final.
Após esse processo, apenas a derme do animal resta no couro.
Fundamentalmente são 6 as etapas da ribeira:
– Remolho
– Depilação
– Descarne
– Desencalagem
– Purga
– Píquel
Mais detalhadamente, a primeira fase é o remolho, que retira o sal usado para conservação.
Em seguida, acontece a depilação, normalmente usando sulfeto de sódio para a extração dos pelos ou lã que restam na pele.
O descarne é responsável por retirar a gordura e permitir o acesso de produtos químicos.
A desencalagem, por sua vez, remove a cal, revertendo o inchamento da pele.
A purga promove uma limpeza profunda e remove os restos de epiderme, gordura ou pelo que podem restar na pele.
Por fim, o píquel ajusta o pH da pele, preparando para o processo de curtimento.
Pode, ainda, acontecer uma fase de divisão entre a purga e o píquel, separando a pele em duas camadas com o objetivo de gerar couros mais leves.
- CURTIMENTO
Essa é operação, de fato, responsável por transformar a pele no couro legítimo. O curtimento pode ser vegetal ou mineral.
O curtimento vegetal, feito com taninos naturais, gera couros mais pesados. É por meio desse processo que temos as solas de calçados ou couro para uso industrial.
O mais comum, no entanto, é o curtimento mineral, com destaque ao feito com sais de crômio.
O curtimento com crômio gera um produto final com características muito desejadas, como a possibilidade de passar por processos, como o acabamento ou tingimento.
Para eliminar o excesso de água e uniformizar a espessura do couro são feitos, respectivamente, o enxugamento e o rebaixamento.
- ACABAMENTO
No acabamento, procedimentos complementares são realizados e o couro natural ganha suas características finais.
É aqui que a resistência, a impermeabilidade e a maciez são garantidas.
Por meio dessas etapas do curtume é gerado o tão valorizado couro legítimo. E, assim, a pele animal vira matéria-prima para tantos produtos.
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Até a próxima!
Fonte: Caio Couros